MISÉRIA
Com a miséria a meu lado
tento que algo em mim permaneça
vivo;
o último esforço já esgotado,
a última hipótese já extinta
mostra-me que tal desejo é inútil...
Sem forças para uma luta tão severa
assumo que sou
um vencido, um desistente,
um fraco, um cobarde, um anti-herói...
Nada mais interessa: não sou modelo de ninguém,
nem
alvo de invejas ignorantes, absurdas e ilógicas!
Apresento a história de um ingénuo que ansiava ser afortunado
nesta
triste existência...
Como permanecer contra a força da corrente?
Sem força
e vontade o que resta?
O que resta quando tudo em redor desaba?
A amargurada sina, os sonhos descontentes,
e a imunda
amarga vida...
8/02/2003
NADA É CERTO
Nada é certo...
Nada corre como se espera...
A vida
é percorrer um abismo às cegas
acompanhado pelo breu da solidão.
A soma de problemas, factores e pressupostos
conduzem
a um crescente receio de um futuro avanço
para o desconhecido. É pensar que o manhã continuará
a ser sombra. É ser derrotista
do próprio caminho...
É o perguntar às expectativas porque fogem sempre
para o mesmo sentido...
Estas abrangentes
palavras, dão o conceito que
a realidade é aparentemente algo de ilusório.
Nada mais falso! Ilusório é a certeza da
aparente existência...
9/02/2003
COMO SE SENTE...
Como se sente um naufrago
ao perder as forças com o
bater das ondas?
Como se sente um astronauta
ao perceber que a viagem não tem volta?
Como se sente um suicida
ao
descer quando vê o solo onde irá repousar?
Algo emerge nesse momento,
o sentimento de reencontro
próprio.
Algo extraordinário ocorre,
o fim do ciclo da vida.
(o começo de uma nova vida)
Última despedida
(Tum, Tum, Tum...)
com o último
bater do coração...
FIM...
12/02/2003
DIÁRIO DE UM LOUCO
Tentar limpar as lágrimas do rosto
mas ter sempre cicatrizes
a permanecer no coração,
vermelhas pequenas feridas húmidas ainda abertas...
Tentar afogar mágoas em ondas absintadas
mas
ser sempre privado da água benta,
límpido e suave fluido da absolvição...
Tentar inaugurar viagem para lugar incerto
mas
ter sempre as mesmas rotas para um mesmo destino,
obscuro árduo termo defuntuário...
Célula-morta do organismo,
Anti-cristo da religião.
É
o diário de um Louco mortiço,
reduzido a um cativeiro cemiterial...
16/02/2003
ALGUÉM SEGUE CAMINHO DIFERENTE
Sigo diferente caminho (sem destino),
nunca segui o
rebanho da maioria
pois nunca via a democracia...
Não me deixo absorver pelos seus comentários,
todos opinam mas
pouco me preocupo...
Contra marés de sentimentos
Rumo para o desconhecido
apercebendo-me
que nesse dia alguém morreu...
Segundos são as pequenas escolhas,
são as oportunidades
de dar novo direcção à vida.
São os aspectos insignificantes
que estabelecem novos caminhos,
São as pequenas coisas
que
fazem as grandes diferenças...
O olhar triste mostra de melhor forma
as
palavras silenciosas da boca...
Sem
remorsos nem arrependimentos
despeço-me...
Nesse dia alguém morreu
Esse alguém foi eu...
13/04/2003
CAMINHO DA FELICIDADE
Hoje o Sol por entre as nuvens
iluminará o teu destino,
o caminho terás que
a percorrer sem a ajuda de outrem...
E a primeira gota de chuva que
vires
saberás que a Natureza partilha
o teu estado de alma...
Ela espera que
aumentes a tua sabedoria
e que o sorriso seja o teu raio
de luz
mostrando que o caminho da felicidade
pode ser conseguido ao sabor do
vento...
27/04/2003
CAMINHO VAGOROSAMENTE
Caminho vagarosamente na estrada
da vida,
sem nada dever e a nada pertencer
caminho livremente para lugar incerto...
O que mantém vivo este ser?
Sem pena,
vejo-me preso numa encruzilhada
de ruas de amargura,
vejo que pouco me prende ao meio
terreno,
pouco me prende à vida que todos
levam...
Pelo meu caminho
sou acolhido por becos escuros
e sombrios,
são quem me abriga e protege
até concluir a viagem que me propus.
Viagem sem retorno, Viagem solitária,
Viagem do adeus...
3/05/2003
OH VIL SINA...
Oh vil sina que me viste nascer!...
Mais vale nunca ter nascido
Para nunca ver o nosso amor morrer
Amor traz-nos dor, desespero e
desilusão
Muitas vezes invejamos quem não
tem coração.
O amor morreu mas as recordações
Irão permanecer nas páginas pálidas
dos poetas
E sofredores.
O tempo passa mas não se perde,
Será esse equilibro a chama acesa
Que iluminará o lado (ob)scuro
do fado...
Talvez quando chegarmos a velhos
(se eu alguma vez chegar lá)
e ambos formos avós,
nos deparemos com a triste realidade:
as almas-gémeas já existiram
mas perderam-se connosco...
19/05/2003
QUEM ME SALVA?
Não me importo,
nada mais importa...
Quero desistir, não quero resistir...
Quero ir embora, não quero permanecer...
Gostaria de ser feliz,
poder abrir as asas num dia de
chuva
e voar para longe...
Ainda aqui permaneço...
Porquê? E a que preço?
Será que no fim da tempestade
vem a bonança mesmo que não merecida?
Minhas desgraças estão para venda!
Quem quer?
Tenho comprador?!
A preço da chuva senhor?!
Não quer?...
Porque não queremos viver as nossas
desgraças
se fazem parte da vida?
Porque não queremos fazer as escolhas
se definem a nossa liberdade?
Estou a aprender a viver
por esforço próprio,
sem ninguém para me socorrer
de mim próprio...
Quem põe o fim a tudo
que me amarra e enlouquece?
Quem me põe um fim?...
Como se salva alguém
que está cansado de viver?...
25/05/2003
O AMANHÃ
Oiço vozes... elas sussurram
e dizem-me
Que eu sou o meu próprio
medo...
É noite cerrada, noite de insónias;
uma cama repousa no canto do quarto...
Sem sono para dormir
e com a esperança que o amanhã não chegue,
anseio viver para sempre na escuridão
da (minha) acolhedora noite...
Declino adormecer em vales de lençóis
porque ao entrar em mundo de sonhos
(onde tudo pode ser belo)
tudo passa a ser regido por fatalismos...
quando se acorda e se abre os olhos
a noite já deu lugar ao dia...
Acordo no futuro,
sentindo que algo ficou
para trás...
29/05/2003
NO LIMITE