BOA NOITE, BONS SONHOS
Boa noite, bons sonhos.
Sonhos em nuvens fofinhas,
brincando
com as estrelas,
sorrindo para a tua amiga lua.
Eu te oiço dizer:
Boa noite, bons sonhos.
E assim aparece o vento,
vento
que vai e que vem,
sempre pedindo alento
e a paz que ainda não tem.
Mesmo assim eu te oiço dizer:
Boa noite, bons
sonhos.
Por fim aparece o sol,
que trás com ele um tal brilho,
e uma tremenda luz.
És tu, que me dizes:
Bom
dia! Como foi o sonho?
Acordei. E assim foi o sonho.
É sol e cor, é luz e paz;
são nuvens empurradas pelo tempo,
é
vento com o seu tormento,
que assim faz tilintar
as estrelas que me sorriem.
Como o mar com a sua bravura,
faz
matar a sede à terra.
Tu voltas a questionar:
O sonho foi bom?
E eu sempre te respondo.
Sim, com o sonho eu aprendi,
aprendi
aquilo que eu chamo
sede de vida.
Joana Laginha - 19.06.2001
SINTONIA
Ana Júlia,
menina roliça, rebelde, saudável
era assim
que ela se definia
no que dizia respeito à sua vida insaciável.
Eduardo, rapaz inteligente e bonito
que não dava valor ao seu ser.
Como
seria se fosse perfeito?
Não teria graça.
Não se iria vislumbrar o quão suave
era a beleza do seu ser,
o toque
das suas mãos delicadas,
os seus lábios, os beijos que dava,
deixavam marca...
Como se fosse perfeito,
pela simplicidade
da sua imperfeição.
Passeavam num parque
de frente para o mar,
de costas para o manumento,
recanto
lindo,
onde as feras e a confusão acalmavam,
viam o outro lado da cidade.
O tempo parou, ela o beijou, ele descansou...
Ana Júlia sorria, com seu jeito de menina,
mas sem lhe dizer Eduardo
gostava e apreciava.
Mantia em segredo, mas ela sabia,
tentava adivinhar seus pensamentos,
e conseguia...
Sintonia.
Ela procurava o melhor
como se de um tesouro se tratasse,
conquistava,
conseguia, vencia...
Mas só com o toque das mãos de Eduardo,
é que tudo ficava perfeito.
Ela coquistava,
E ele
tornava a conquista perfeita,
repleta de dádiva.
Joana Laginha - 17.07.2001
AMOR... SINTO-ME QUENTE
Amor... sinto-me quente,
Sinto
que a minha alma se consome,
Sinto-me como que doente
Num desejo que nunca dorme
E vai-me conquistando,
O meu
coração vai cercando
Num mar de desvarios.
Paixão... preciso de ti
E não sei como é viver
Depois que me deixaste,
Aqui,
num lugar sem sorte,
Depois que partiste de mim
Comecei a morrer aos poucos
E é já tão grande o rasto de morte
Querida, deixei-me vencer
Pela tua ilusão, pela tua fraqueza
Que
nada foste mais que isso
E foste tanto para mim,
E és tanto para mim
Que penso que eu, sim, sou fraco.
Meu sonho, minha vida
Quero-te sempre,
Ser eternamente teu,
Perder-te
em mim
E no fundo do meu corpo abandonar-te,
Para que não possas fugir.
Quero-te percorrer,
Num só beijo consumir-te
Como se o tempo acabasse.
Quero-te
viver
Num só sopro de vida,
Antes que ela fuja.
Dá-te, não te importes com nada
Tudo é tão vulgar,
O resto
não interessa,
Basto eu, bastas tu
E tudo será supremo.
Nelson Ferro.