Momento de Poesia

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NUNCA SABEREMOS

Sozinho combato um tormento
Que criaste no meu coração,
A consciência do passado.

Serias a pessoa que conheci
Se pudéssemos recuar no tempo?
O que faríamos se te conquistasse
Mais uma vez?

Pela calada da noite
Com o silêncio como teu ajudante
Partirias mais uma vez?
Se nunca tivesses partido
Serias a pessoa que conheci?

Se recuasse-mos ao início
O que faríamos?
Utilizaríamos tal recurso
Se pudesse-mos recuar no tempo?

4/01/2002
 

PERCO-ME

Perco-me no labirinto esquecido
da consciência do ser,
sem nunca me ter conhecido
nem me dado a conhecer.

Se o que criei é sombra,
vulto que me traz calma
e que emerge da escuridão;
é essa mesma sombra
que leva a minha alma
a vaguear na solidão.

Na vida em que estou a caminhar
pesa-me o caminho infinito...
Paro, medito...
Estou farto de pensar.

10/01/2002
 

NA SOLEDADE

Na soledade das palavras usadas
repousa o Outro que em tempos fui.
Já não é o tempo de desbravar caminhos,
tudo o que se fez e que se diz
é ignorado pelos ouvidos surdos da Razão:
a sinceridade que todos buscam e que ninguém quer;
a esperança que todos têm mas ninguém acredita...

A dor cresce,
mas manter-me no trilho
que se desvanece
é o meu último esforço
contra o tempo da mudança,
em breve nada irá restar
como guia nesta minha luta
pela esperança.

26/01/2002
 

COMO UMA NUVEM

Sou como uma nuvem,
onde o vento for, também o acompanho,
nesta vida de vai e vem
descanso não tenho.
Viajarei com o vento
até não ter mais forças para continuar
e com o passo lento
deixarei de lutar...

Sou como uma nuvem
que apenas tenta sobreviver
um dia de cada vez...

1/02/2002
 

PAZ E DESCANSO

Onde estarei eu quando parar para pensar
Na vida que me fugiu?
Lembrar-me-ei das escolhas
Que não fiz?
Terei saudades das coisas
Que não tive?
E se me a arrepender...
Do caminho que escolhi?
E se deixar de gostar...
Do reflexo do espelho?
Paz e descanso... preciso de
Paz e descanso...

Tenho saudades...
Da criança que brincava
No recreio da imaginação do ser,
Do riso mágico que ela produzia
De olhar o mundo pelos seus olhos...
(Do olhar de quem via o mundo pela primeira vez)

Tenho saudades da criança que se perdia
Na sua própria inocência.
Hoje recreio já não tem
E criança já não é.

Paz e descanso para aqueles que partiram...
Paz e descanso para a Criança
e sua Mãe...

3/02/2002
 

A TUA INFELIZ NOTÍCIA

Algo repousa,
Inerto, imóvel,
no leito da sua morte.

Um surdo mas carregado silêncio
invade o pequeno quarto,
e lentamente, o mundo deixa de ter
cor, luz, paz e alegria...
Um mundo em escala de cinzentos
transforma-me o olhar...

Nunca nos apercebermos
que a vida é frágil
e que promessas podem ser
facilmente quebradas
pelo silêncio da vida...

Relembro-me arduamente
das lágrimas esquecidas
pela morte da maternidade
e fim do casamento.
São as lágrimas do adeus
que nunca te disse...

São infelizes notícias
que fazem desabar a vida
como um simples castelo de cartas.

Com o intuito de sanidade,
recomeça-se a construção de um novo castelo,
uma nova vida.
Mesmo com chegada de novos ventos
duvido que se erga algum dia...

Algo incerto
morre vagarosamente
dentro de mim...
Talvez seja a vida
a caminho do seu fim.
 
28/02/2002
 

O ADEUS DA FELICIDADE

O silêncio sussurra entre o vento
Trás a notícia que agora é o momento.
O mundo cessa perante o meu ser
No meu solitário passamento
Meus olhos húmidos deixam de ver
Meu coração frouxo e fraco deixa de bater
E descubro em mim o meu último tento
Deixar um sorriso para todos poderem ver.

Algo morreu em mim
Além da minha vida
Descobri no meu fim
Que a felicidade sorria.
Inglória descoberta
Para quem lutou por ela em toda a sua vida.

Triste vida a minha
Não pelo triste fado
Mas por não ter aproveitado
O que realmente tinha...
 
12/04/2002
 

PARTISTE

Partiste sem te despedires...
Ainda tentei sem sucesso procurar-te.
Não te cheguei a encontrar.
Nesse momento vi o meu Mundo
desabar perante os meus olhos
já húmidos...

O Mundo transforma
o meu e teu olhar.
Tudo se altera
perante o meu ser.

Onde me poderei salvar
de mim mesmo
e deste Mundo frio e cruel
que arrefece e destroi
a emoções do meu coração?

29/04/2002
 

PERDE-SE A VIDA, PERDE-SE O TEMPO

Perde-se a vida,
perde-se o tempo
nela contida...

O meu destino mata-me lentamente
permanece sempre uma voz que me diz:
Vamos sobreviver este dia

A vida foge-me rapidamente,
as oportunidades desvanecem
como o trilho da minha vida...

Rapidamente desvanece a minha vida,
uma voz diz-me
que é este o dia...

Algo de absurdo me ocorre,
viver do tempo
salvando a vida que me morre...

28/05/2002
 
 
TODOS PERDEM ALGO

O que quer tenhas perdido na tua vida
lembra-te que todos perdem algo na vida,
todos perdem algo mas seguem em frente...

Olha para o céu estrelado...
As estrelas que agora vês
também se vão apagando com o passar do tempo,
e a luzes que iluminam o céu
podem ter sido imitidas por
estrelas que já desapareceram à milhares de anos.

Um dia também será a hora
de tu desapareceres, por isso
faz o melhor que puderes e conseguires
porque o amanhã poderá não existir...
Tenta ser feliz.
 
O sol pode não brilhar sempre
Mas ele nasce todos os dias...
 
8/07/2002
 
 
 
DOIDO
 
Nasci assim
e hoje assim vivo.
Morrerei doido
porque doidos são os poetas
músicos e cientistas,
aqueles que com um golpe de asa
atingem feitos que mais ninguém
pode alcançar...
 
Mas lentamente o passado construído
vai desaparecendo,
o futuro do passado deixa de ser nosso,
o eterno ninguém alcança...
 
Vendo isto descobrimos
que não fomos doidos.
Compreendemos que não fomos mais que ninguém,
apenas pertencemos
a um mundo que se chamou
de diferente...
 

22/07/2002
 
 
 
GRITO SUSSURRADO

Escrevo para mim,
na vida criei este pequeno canto...
A tristeza é escrita assim,
(É) grito sussurrado do meu canto...

Sinto-me perdido
como uma estrada sem suporte,
como um simples Ser esquecido
agarrado à sua sorte...

Tudo desaba em meu redor...
Grandes estrondos tremem o chão,
algo inerto permanece junto à minha dor...
(É o) grito sussurrado da Solidão...
 
 
24/10/2002
 
 
 
MINHA PARTIDA

Sentir a chuva a escorrer pela face,
sentir o mundo a esvair-se pela ponta dos dedos,
sentir que possuí tudo sem nada ter:
possuí o por-do-sol e as manhãs;
possuí a lua cheia e as noites;
possuí por fim uma pequena triste melodia...

Fui rei sem trono para governar,
fui poeta sem pena para escrever,
fui pedinte pouco humilde para viver,
fui amante não correspondido
que cantou por fim uma pequena triste melodia...

Podia ter sido quem não fui...
Não é tempo de arrependimento
o que está escrito e feito
ficará tatuado nas memórias do tempo...

Ouço o vento, traz-me a minha triste
melodia...
É hora... é a hora da partida...
 
28/10/2002
 
 

ADEUS

Adeus, adeus às duas almas que se amaram,
duas almas que foram uma só,
é a sua hora da despedida...

Recorda-se o tempo,
o sol e a magia...
Memórias antes perdidas
surgem como pequenos quadros
pintados a aguarela com cor suave,
pintam o tempo que passou,
o tempo que se perdeu,
o tempo que se gastou...

Ao longe ouve-se uma melodia,
flautas entoam e pássaros acompanham...
Sobre o céu dourado tudo cessa, tudo fica triste
ao ver o tempo da despedia a acabar,
ao ver a hora do adeus mais próxima,
ao ver o pôr-do-sol a desaparecer...

Suavemente o vento sopra,
suavemente o vento chora
para o trágico final
do adeus às duas almas que se amaram...

Que Sublime final os poetas poderão escrever...
Que majestoso acabamento os músicos poderão cantar...
Que imponente desfecho os encenadores poderão ter...

O tempo acaba e tudo termina,
tudo desaparece em redor das duas almas
quando estas se afastam e terminam
a mais bela história de amor...

1/11/2002
 
 

MAIS UM DIA... ATÉ QUANDO?

Mais um dia que passa
mas algo me faz sentir:
o meu passado, cinzento e amargurado;
o meu presente, azul e melancólico;
o meu futuro, preto e incerto...

Cansado paro o tempo
reparo que estou só,
sem origem e sem destino
procuro saber porque existo
Haverá resposta?

Sou anjo-palerma que voa sem asas
Perante um céu cinza de tristeza,
Sou anjo-mau que procura
agarrar-se a um fragmento
de força que lhe resta...
Até quando?

Extinto, perdido, abatido
Não quero pertencer a coisa alguma
quero ser apenas
um desaparecido em combate

Dou mais um passo
no sentido do abismo
procuro saber se mudo de rota
Haverá resposta? Até quando?

10/12/2002

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