Refugias os teus medos
aqui,
onde o vento suave te sussurra
e os sonhos constroem a esperança
que te
suporta...
Aqui,
crias peças imaginárias
com vidas e receios de marionetas;
tu és as suas próprias histórias:
sem
lutas, sem perdas,
mas sem conquistas de vitória...
Haverá voz de revolta
quando te encontras em ilusão?
Consciência cega, surda e muda
vive num lugar sem memória...
Haverá
dor em revolta
quando o coração não sente
os gritos de solidão?
Consciência fatigada da realidade
procura um lugar
de conciliação...
Na caminhada para a concórdia
criaste um lugar só teu:
um oportuno e oculto refúgio
onde pensamentos se
perdem,
lágrimas se isolam
e a felicidade carece de resolução...
Quem quer habitar num mundo
como o deste aqui?
4/03/2007
MOMENTO PRESO NO SEGUNDO
Momento preso no segundo,
vida acesa na eternidade...
O tempo passa,
o presente permanece;
só eu fujo da
hora esquecida...
Sou a espera que rende
aguarda e reflecte
na memória do amanhã.
Sou destino decidido
e a paz rendida
pela
incerteza da vida.
Sinto que deva não sentir,
vejo que devo não olhar.
Não sei se deva,
não sei se tente...
sobreviver sem viver...
23/05/2007
NÃO O CONHEÇO
Não o conheço
Mas sei que avança sem rumo
Foge e chora
Num mundo que ninguém o procura
E tudo o que cria
é feito de desilusão
Não o conheço
Mas sei que se agarra ao passado
Pensa nas memórias
Que os olhos perderam
E nos sonhos
que se dissiparam
Não o conheço
Mas sei que não tem o amanhã
Não se dá nem se deixa dar
Protege-se do tempo
E do futuro
que ele lhe dá
Não o conheço
Mas sei o que carrega
Tenta mover-se e suportar
Quando a vida não espera
E as respostas
tendem em não chegar
Não me conheço
Nem sei como me procurar
Vivo sem existir
E luto para me encontrar
15/06/2007
AQUI ESTOU EU
Aqui estou eu,
sem escolhas tomo a decisão de partir.
Custa-me o adeus,
será que a tristeza se vê?
Custa
ir e ser esquecido,
será que um dia fui lembrado?
Que decisão me trouxe aqui?
Não interessa e é hora
e farei sempre os mesmos erros.
Deixo tudo para trás
mas
algo vem sempre comigo,
como uma tatuagem permanente
no meu fado.
(não poder sonhar...)
Então, talvez quando partir
decida não mais voltar;
e ao não olhar mais para trás
poderei (finalmente) deixar
as lágrimas cair...
Mas talvez amanhã
me peças para ficar...
e nada nesta história fará sentido...
13/11/2007