SOU O ABSURDO DA MENTE
Sou o absurdo da mente,
vácuo que me suga lentamente...
Sou o desprezo,
o vulto que se olha e não se vê,
voz que grita e não se ouve sem se saber porquê...
Na cadeia das espécies ser desconhecido
animal,
patamar abaixo de bactéria, vírus e doença;
ser quem sonha somente com o final,
epílogo e desfecho da sua
sentença...
Já morri e fui condenado eterno no abismo
vivendo entre grutas,
chamas e gritos em dor...
Resignado a ser viajante e mortalismo
em todo lugar onde me encontrar e for...
Já fui salvo com o nascer de mais um dia
vendo o mundo pelos olhos
de uma criança;
tive paz, felicidade, sorrisos e esperança
e vivi intensamente este sonho que assistia...
Sou ponto de interrogação incompleto e louco
em busca do
seu ponto final;
fragmento de molécula perdida
que se formou sem saber porquê...
Sou a vida a esmorecer-se a pouco
e pouco
bem longe do seu ideal;
olhar de criança iludida
sem saber o que
vê...
13/02/2006
PROCURANDO O MEU LUGAR
Quando um dia o céu cair
e as estrelas deixarem de brilhar
não
farei falta.
Aqui estive sozinho
para jamais abandonar,
cansado obriguei-me a desistir
como uma lágrima que se
perdeu na chuva
e se deixou afogar...
Qual a razão de ter o que tinha
sendo eu a razão do que perdi?
Fui abrigo no secretismo das horas,
confidente de frustrações diárias,
presença
isolada como a luz que não se apaga
e te deixa a dormir num sono profundo.
Dei-te o que de mais puro eu tinha
mas
eras tu que davas paz e descanso ao meu mundo...
Permanecia porque eu te tinha,
afastei-me porque eu te perdi...
Quando um dia o céu te cair
e as estrelas deixarem de te brilhar
já
não te farei falta;
és o que eu nunca fui e não posso ser
e mais não te posso dar...
Esquecido,
parti sem nunca
te abandonar,
o tempo urge para aquele que não se encontra
com o seu lugar...
26/03/2006
ESTA NOITE
Fui guerreiro sem rumo, sem pátria, sem arma;
fui inimigo de mim mesmo, o meu executor;
esta noite tombo no
campo de batalha
da mente do seu criador...
É o inicio do fim, a triunfal saída,
a viagem num momento do tempo,
agarrar o último sopro de vida
e poder
partir sem arrependimento...
22/05/2006
PERDOA-ME OS MEUS PECADOS
Perdoa-me os meus pecados,
mas ser perfeito não sou,
se o fosse nunca a dor seria sentida
nunca seria provado
o seu sabor;
agradeço o amargo e o frio que me dão
para sentir o doce e o calor...
Sinto e quero sentir...
se não sentisse penso que enlouquecia,
se me fechasse completamente
sufocava, morria;
deixo-me
então ao sabor do vento
colhendo os frutos bons e maus que ele me dá
e agradeço cada dia que me concede
para tentar
de novo...
23/05/2006
PRISIONEIRO DA LIBERDADE
Prisioneiro da liberdade
Fujo, afasto, escondo no fundo
Medo de sentir a realidade
Sofrer antes do tempo do
fim do mundo
Receio da dor
Torna-me seu nativo
Sem esperança, luz ou cor
Sou mero sobrevivente ilusivo
Não comando mais o destino
Deixo as respostas para quem as tem
Triste despeço-me e imagino
Que tudo terminará
em bem
Assim preparou-se a partida
Daquele que já nada teme
Hoje é o último dia
O adeus do homem do leme
5/09/2006