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MUNDO DE RÚBIA

À espera que algo lhe aconteça,
vive triste a sociedade
confinada ao silêncio de sentimentos...

Seguem a corrente os ávidos de emoções urgentes,
sem tempo para sensibilidades humanas
não se apercebem que suas sensações
são sofrimentos dominados.

Esperançados que se abra uma porta de soluções,
nunca se irão aperceber que são o seu próprio céu.

E tu?...
Ficas no teu próprio silêncio
e é escusado o contrário,
podem não compreender
ou as conclusões serem imprudentes....

Sentimentos vão,
Sentimentos vêm...
Sentimentos aparecem,
desaparecem,
reaparecem...

Apesar de os precisares
recusas conselhos que te dão,
agarras-te à tua aparente omnisciência
e dizes que tudo sabes...
... e as duvidas de sempre?
Por vezes tudo parece correr
e é inconstante e é instável
e queres agarrar-te à corrente mas sentes-te
demasiado frágil...

Irás chorar muitas vezes,
sairás magoada muitas mais...
Tens a vida na tua mão,
não te pedem o mundo...

10/01/2005
 
 
 
 
 
DISTANTE D'EXISTIR
 
Cada vez mais distante d'existir
perco-me a cada momento que passa,
morro todos os dias
e o amanhã será (mera) rotina,
dor que persiste e alma em dor...
 
Quero andar livremente,
jorrar de felicidade,
saborear perfeição em tudo o que veja
e sinta...
 
Peço-te que não me deixes partir,
não encontro motivo para ficar...
 
E cada vez mais distante
quero apenas dar razão à existência,
ser motivo de diferença
na realidade que não conheço.
 
Peço-te que me deixes partir,
não quero motivo para ficar...
 
27/02/2005
 
 
 
 
ETERNA DIVISÓRIA

Por vezes olho para ti no teu silêncio,
tu companheira eterna nos meus momentos de solidão.
Inutilmente, ficarei sempre à espera
que me aconchegues, que me ampares
e que me digas o que preciso de ouvir;
Entristece-me essa eterna divisória
que colocas no teu mundo...

Por vezes enraivecido sou o teu pior inimigo,
quero rasgar-te e mostrar tudo aquilo és:
Pequenos nadas de uma criatura vazia em hábil declínio...
Sou e serei sempre mais do que tu,
porém invejo a tua adequada e subtil imperfeição,
puderes alegar existência na tua própria e prisioneira
simplicidade...

Por vezes sou imagem reflectida em mudez
e o silêncio que oiço
é porque me encontro perdido
num mundo ausente de sentidos...

26/06/2005
 
 
 
 
A HORA

Não conhecíamos a hora do adeus,
mas o tempo da verdade dói
para qualquer recordação.
Vamos viver hoje
e desejar por um amanha,
pelo nosso tempo e lugar no mundo...

Os caminhos separam-se,
o que se ira perder?
As memorias afastam-se,
o que fica por dizer?
Pergunto-me se podíamos ter enfrentado
e vencido o destino
nas suas batalhas de raciocínio e ciência;
razão desconhecida e certeza da incerteza
é um querer garantir
mas terminar sempre em promessa.

O tempo em desfecho
(o tempo que ainda temos)
compõe histórias e lembranças que nunca tivemos
guardadas pelo silencio
de lugares que nunca compreendemos
e que não quisemos aceitar;
com esse fado aqui estamos em despedida,
já não somos quem fomos,
há um mundo invisível e mudo
quando os nossos olhares se cruzam:
não se revela, não se traduz, não se deixa explicar,
definir é limitar...

Não conhecíamos a hora do adeus,
mas a verdade dói
para qualquer despedida
e lugar no mundo...
Assim espero pelo retornar,
há histórias que merecem um final, mas definir é limitar...

7/09/2005
 
 
 
 
XXVII
 
Tenho o horizonte à distância de um salto
e tons de aguarela e cores de vermelho-laranja
que subtilmente fogem para um azul-revoltado...
Tenho o destino traçado na palma de uma mão
e um vento suave a afagar a paisagem
e sombras a ausentarem-se no infinito
sabendo do seu não-regressar...

Tenho o sol a desaparecer entre o céu e o mar
e um abraço de conforto que a noite dá
a uma personagem que se despede
do dia que deixou de sonhar...
... e sem razão um fim
e um limite desconhecido...
 
4/11/2005
 
 
 
 
 
FUI QUEM SONHO SER UM DIA
 
Fui quem sonho ser um dia
mas que não existirá mais;
e quero algo mas não sei o que procuro
e sei que sinto mas não sei o quê...

“Um dia serás livre,
livre para desistir
fechar os olhos e fugir pela noite;
livre para sorrir
pegar no pincel e colorir o mundo;
livre para cair da demência
e encontrares-te em paz com tudo o que te recebe e abraça...”

Haverá tempo para respirar, sentir e viver,
dar a mão a quem se despede?

“Afogas na imensidão do oceano
o teu corpo e o seu instinto de sobrevivência;
sem respostas, sem adeus e sem mão que interceda
deixas-te levar pela corrente
e concilias-te com o teu próprio falecimento...”

O corpo já defunto e sem razão de ser,
deixa-me a vaguear como sempre vagueou...
E no sonho onde a razão não existe
deixo-me envolver pelo conforto
do dia que não existirá mais...

“Quiseste algo mas não sabias o que procurar
e sabias que sentias sem saber o quê...”
 
6/12/2005

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